Socorro, é uma emergência! Precisamos da brigada do bom gosto.
Título: 研修医天堂独太2~命の天秤~
(Kenshui Tendou Dokuta 2: Inochi no Tenbin)
Produtora: Spike
Publicadora: JoWooD Productions
Data de Lançamento: 2008.07.25 (Europa)
Comprei este jogo porque tinha lido que saiu muito antes do mais popular "Trauma Center", lá nas ilhas do Japão, e que foi até o responsável por impulsionar este género de jogos de hospital. E também porque tinha lido que a história e o desenvolvimento de personagens tinham um foco muito grande. Facto é que se não soubesse tudo isto, nunca teria pegado no jogo que se encontrava perdido numa prateleira da GAME, pois nada na caixa beneficia a sua imagem.
Doutora, acabou de olhar para a capa do jogo?
Então não se preocupe, é normal.
História: Este jogo foi lançado no ocidente como sendo o primeiro (ou único) jogo da série "LifeSigns", mas na verdade trata-se de uma sequela do primeiro 研修医天堂独太 (Kenshui Tendou Dokuta; Tendou Dokuta, o Médico Interno), havendo inclusivamente alguns vestígios disso espalhados pelo manual. Por sorte, consegue funcionar sem necessidade de se ter jogado o antecessor. Há algumas referências a eventos passados aqui e ali, mas são bem contextualizadas.
Tratando-se de um típico jogo de aventura japonês, na sua essência, a história e os diálogos são a força do jogo e passaremos muito tempo a falar (ou diria, ler), recolher informações e, no caso deste jogo, viver o dia-à-dia de uma vida hospitalar. O personagem principal, Tendou, é muito racional e focado no seu trabalho, e apesar da sua bondade, não se dá conta do quanto os seus colegas gostam dele, pelo que se torna bastante fácil simpatizar com a sua situação. O vasto leque de personagens permite uma fácil absorção no enredo do jogo, não havendo nenhuma personagem bi-dimensional, o que é sempre um alívio e estimula o interesse em progredir no jogo/história. As minhas favoritas são a enfermeira Hoshi, e a Kaori (que surge lá para metade do jogo).
Os diálogos estão muito bem escritos e nunca há aqueles momentos em que precisamos de fazer um esforço enorme para acreditar em situações improváveis. Não teria passado cada um dos 5 episódios que compõe e o jogo, caso contrário.
"Doutor! Ela queria comer mas eu disse nãããããooooo...!"
Gráficos: Para um jogo deste tipo, que recorre a uma imagem de fundo mais um sprite enorme para a personagem que estiver a falar, não há muito que se possa dizer sobre os gráficos. Estão apropriados e bastante profissionais, havendo inclusivamente alguns sprites com animações muito completas, o que beneficia sempre qualquer momento. Durante as operações também está tudo em 2D de muita qualidade, pelo que também não pode haver grandes queixas. Devo dizer que prefiro o desenho de personagens deste jogo aos do Trauma Center, não há mesmo nada de inferior.
Já podemos esquecer a capa. Isto está a ficar interessante!
Pronto, faz lá o que tens a fazer.
Jogabilidade: Este é realmente o departamento mais fraco. Durante os diálogos a queixa vai para a lentidão com que são apresentados e o único botão com função de SKIP, o botão B, apenas conclui a apresentação da caixa de texto, não havendo forma de avançar uma conversa à frente. Isto pode ser frustrante quando nos enganamos e repetimos uma pergunta a um personagem que por acaso até é muito falador. Ou quando estamos a repetir alguma situação porque fizemos Game Over.
A forma como dialogamos é maioritariamente através de tópicos/assuntos ou objectos que vamos recolhendo, estando estes dispostos num menu horizontal no ecrã inferior. Ora, é mais que certo que acumulemos uma grande quantidade de tópicos para conversar, pelo que esse menu é demasiado reduzido para permitir um acesso rápido e fácil ao que queremos. Isso pode fazer com que percamos algum tempo desnecessário. Mas trata-se apenas de um pormenor. O verdadeiro problema vem a seguir.
As operações! Ainda bem que não são o grande foco do jogo, pois os controlos nem sempre são muito intuitivos, bem como as explicações do que temos de fazer são muito poucas. A não ser que sejamos um estudante de medicina, certos momentos acabam por ser frustrantes por simplesmente não sabermos o que fazer. Quantas vezes não tive de repetir uma mesma operação só para perceber ao certo como a passar. Na prática, na maior parte do tempo estamos a desinfectar uma zona do corpo, a fazer um corte com o bisturi ou a suturar uma abertura, e nesses casos temos indicações (mais ou menos) claras de como o fazer. Mas há sempre um ou outro momento crucial a meio da operação que não é nada óbvio para o comum dos mortais.
Existem também alguns mini-jogos ao longo do jogo, cerca de um por episódio, que apesar de divertidos, não são muito claros nem permitem repetições, o que se torna um pouco frustrante quando nos apercebemos que isso influencia os diferentes finais.
"Durante o curso de Medicina fiz muitos jogos de diferenças."
"Esta paciente tem estalagmites ou uma moto-serra no braço direito."
Ambiente: As músicas do jogo cumprem uma função muito clara de preencher o silêncio harmoniosamente, havendo apenas uma ou outra faixa mais interessante que isso. Os outros efeitos sonoros são de uma qualidade igualmente neutra, pelo que apenas contribuem para ajudar na imersão. A paleta de cores ao longo do jogo aproxima-o bastante a um típico anime, pelo que pode haver um certo conforto graças a isso, pelo menos para mim. As operações e a linguagem técnica são realistas e não apenas mini-jogos inventados, o que ajuda a sentir-mo-nos na pele de um verdadeiro médico interno, sem termos de passar por todas aquelas doenças horríveis e nojentas, é claro.
O jogo tem uma duração extraordinária, sobretudo se nos entretermos a conversar com as personagens mesmo sem intenção de avançar na história. Cada episódio apresenta uma narrativa fechada em si própria, excepto o terceiro e o quarto, que são contínuos, portanto não existe grande necessidade em completar o jogo todo de uma vez. E muito sinceramente, as personagens são mesmo a grande mais-valia deste jogo.
Wikipedia (Inglês)








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