19/03/2013

Crítica - Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate

O estilo artístico é muito bonito, mas será suficiente?

Título: Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate
Produtora: MercurySteam
Publicadora: Konami
Data de Lançamento: 8 de Março de 2013

Após o anuncio feito em Maio de 2012, e ainda que estivesse claro que não nos esperaria um jogo idêntico aos da Nintendo DS, o agrado e as expetativas perante um novo "Castlevania" portátil subiram para níveis consideráveis. E a espera nem seria muito longa, não fosse a MercurySteam adiar o lançamento do jogo devido a alguma insatisfação pessoal em relação à qualidade do mesmo. Não é para admirar, pois "Mirror of Fate" começou a ser desenvolvido em HD, talvez como sequela de "Lords of Shadow" da PS3, para depois se ver reduzido ao tamanho inferior do ecrã da 3DS. Não é uma tarefa simples e requer alguma afinação, para produzir uma experiência de qualidade.
Mas quando uma produtora está preocupada com a qualidade, é porque o resultado final não pode desapontar. Na teoria.

Temos mesmo de entrar? Até a porta mete medo.

História: Qual o "Castlevania" que pode prezar-se pela sua história? Nenhum. A verdade é esta, todos sabem e não há necessidade de ser de outra forma. À excepção de uma cronologia de eventos mais ou menos coordenada, com algumas variações à mistura, o típico fã de "Castlevania" não está à procura de desvendar uma história muito complexa. Normalmente já a sabe de cor: alguém tem de ir matar o Dracula e acabar com o sofrimento na terra durante alguns anos, só até ele voltar de novo.

Mas em "Lords of Shadow", um suposto reiniciar ou reinterpretar da saga, que começou na PS3 também pela mão da MercurySteam, é evidente que houve uma tentativa esforçada de conferir um enredo mais detalhado ao clássico jogo de aventura/plataformas. Não funcionou muito mal, mas também não funcionou muito bem.

Continua a não haver muito para contar, pois a premissa é a mesma. Há uma família que mantém a tradição de derrotar os demónios da noite, sendo que a batalha contra o Dracula costuma ser a final. A adição de uma apresentação mais cinematográfica à narrativa do jogo apenas contribui para a estética do visual e não acrescenta grande substância a uma história já conhecida.
Mesmo com a divisão em capítulos e em personagens, não há muito para contar, mas o jogo tenta.

Quem é aquela pessoa no quadro?
...Na verdade, não importa muito.

Gráficos: É certo que não tem o melhor motor de anti-aliasing, algo evidente ao jogar na 3DS XL, mas ainda assim os gráficos de "Mirror of Fate" impressionam em ambas as versões da consola. O efeito 3D é amplamente explorado, tornando-se assim uma das melhores utilizações do mesmo até agora. Está claro que é difícil de utilizá-lo nas sequências de ação mais intensas, em que movimentamos demasiado a consola e perdemos o centro da estereoscopia, mas para tudo o resto vale a pena ter o slider totalmente para cima.

Muitas foram as pessoas que se queixaram de falta de fluidez no frame-rate do jogo, algo que, felizmente, nunca reparei. E cheguei a ter grandes concentrações de inimigos ao mesmo tempo no ecrã, sem nenhum atraso na velocidade, mesmo com o 3D ligado. Se calhar tive sorte.

Alucard está de volta e tem morcegos para o ajudar.

Um dos inimigos mais desafiantes para o nosso chicote.

Porém, é de lamentar a existência de alguns glitches no jogo, ainda mais quando foi dito que o adiamento do jogo estava relacionado com a necessidade de fazer aperfeiçoamentos. Numa das batalhas de boss o meu personagem foi lançado para fora do cenário, o que o fez cair até ao infinito, sem parar, obrigando-me a reiniciar o jogo. Ainda bem que utiliza saves automáticos, caso contrário podia ter sido bastante dramático.
E pelo que li no GameFaqs, já foi descoberto um glitch que permite despachar uma longa batalha de boss em poucos minutos. Um aceno aos jogos de outros tempos ou uma simples falha de controlo de qualidade? Fica a duvida.

Jogabilidade: O ponto forte de qualquer "Castlevania", a par da música e dos gráficos, é o sistema de jogo. Após vários aperfeiçoamentos feitos em cada novo título, que culminaram durante uma época no clássico formato metroidvania, onde a exploração do cenário se alia à optimização da personagem, a versão da MercurySteam tenta afastar-se de tudo isso.

O ambiente está muito bem construído,`
mas chegará para satisfazer? Rezemos que sim.

Alguns elementos mantém-se, nomeadamente a perspectiva side-scroller num (mais) moderno ângulo "2.5", que determina movimentos limitados a 2 dimensões, mas com enquadramentos de câmara variáveis. Também o levelling up está presente, ainda que muito simplificado, pois não existem stats para melhorar, apenas habilidades para desbloquear. O que significa que as nossas capacidades dependem em grande parte da nossa habilidade com os dedos, como num jogo de luta.

A exploração também se mantém, com o típico mapa quadriculado no ecrã inferior, embora haja falta de passagens secretas ou necessidade de repetir caminhos, o que torna essa componente pouco motivante. É também muito fragmentada, devido à troca de personagens ao longo dos capítulos.

Alguns cenários são grandiosos, mas não passamos muito tempo neles.

Portanto, em termos de semelhanças com um metroidvania, o melhor a fazer é não contar muito com elas. É mesmo uma experiência diferente, e o jogo espera que tenhamos isso em conta. Pode dizer-se que é mais semelhante aos primeiros "Castlevania", mas com um chicote mais efusivo e serpenteante, como já aconteceu com os títulos da PlayStation 2. Ou "God of War".
Os controlos não apresentam qualquer problema, havendo uma boa gestão dos botões da 3DS, bem como do touch screen, com 4 atalhos em cada canto. Os diferentes ataques nunca chegam a ser complicados de executar, consistindo em pequenas combinações eficazes. O que pode ser bom para quem não se quer chatear muito, ou mau para quem quer um desafio mais complexo.

Um dos comic relief do jogo é também muito medonho.

Um dos objetivos secundários no jogo é encontrar todos os scrolls espalhados pelo castelo, que contêm breves pensamentos de diferentes pessoas que, supostamente, morreram por ali. Para além de informação adicional, que pode ajudar em algumas partes, também nos dão alguma dose de experiência para subirmos de nível. Porém, a facilidade em encontrá-los torna a procura bastante desinteressante.
Também podemos colecionar perfis dos diferentes monstros e personagens, igualmente espalhados pelo mapa, mas isso é continua a ser muito fácil de fazer. Existem sempre indicações sobre onde está tudo, mesmo que não haja um motivo concreto para o sabermos, apenas facilitismo. Não existe muita diversão em procurar coisas que já estão encontradas.

É através destas estátuas que recuperamos o nosso HP.

Por mencionar, e relacionado com isto, fica ainda o facto de que sabemos sempre para onde temos de nos dirigir. Sabemos sempre em que momento do jogo estamos, devido às percentagens que aparecem no menu principal. Sabemos sempre o que nos espera na porta seguinte. "Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate" é um jogo muito linear.
Excluindo alguns momentos de combate muito bem executados, com uma carga dramática mais acentuada e cinematográfica, a experiência final fascina muito pouco, o que é uma pena.

A história de "Castlevania", resumida numa
excelente cena cel-shaded.

Ambiente: A música de "Mirror of Fate" é bastante diferente da habitual, encontrada nos jogos que foram feitos no Japão. Tem um tom claramente europeu, próximo de uma banda sonora orquestrada e de grande qualidade, reminiscente a alguns filmes de terror mais góticos. Alguns temas ficam na memória e vale bem a pena jogar com auscultadores, mas não se pode dizer que a banda sonora cumpra mais do que a sua função.

O estilo cel-shaded das sequências de história é muito bonito e seria interessante ver uma versão do jogo completamente nesse estilo, pois é extremamente apelativo e podia dar uma identidade única que chamasse a atenção por si só, já que "Mirror of Fate" funciona tanto à base do superficial.

Trevor tenta defender-se, mas não acredito que o consiga.
Nem um pouco.

É pena não haver monstros pelo castelo com mais frequência, estando apenas concentrados em determinadas zonas. Isso torna grande parte da viagem muito solitária e algo contemplativa, o que dá amplo espaço para apreciar os cenários, que são verdadeiramente bonitos.

Um momento bastante reminiscente, ainda que escasso.

A beleza do jogo aliada aos controlos funcionais garantem uma qualidade inquestionável, mas "Castlevania: Lords of Shadow - Mirror of Fate" peca pela curta duração e pouco conteúdo. A coleção de scrolls e monstros não acrescenta muito, podendo ser completada logo da primeira vez que passamos o jogo. Nota-se uma grande falta de profundidade no desafio oferecido, poucos motivos para voltar a jogar e uma sensação de que a experiência rapidamente fugirá das nossas memórias. O exemplo claro de um jogo de grande qualidade técnica e artística, onde a soma das partes é inferior ao todo.


Wikipedia (Inglês)

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