Gosto do estilo das capas europeias, mas prefiro as japonesas.
Produtora: Level-5 / Brownie Brown
Publicadora: Nintendo
Data de Lançamento: 2011.10.17 (EUA), 2011.11.25 (Europa)
O quarto título da saga Professor Layton sempre me deixou expectante devido a três aspectos: por mostrar-nos a origem da união entre o professor e o seu assistente Luke; a adição de um jogo extra chamado London Life (não encontrada na versão europeia); e a curiosidade em saber se iam conseguir manter a fórmula interessante ou repetitiva. Por incrível que pareça, a minha opinião sobre o jogo reflete-se pouco nestas três coisas, pelo menos de forma positiva.
Layton, o verdadeiro cavalheiro.
História: Para além dos quebra-cabeças, que têm perdido alguma parte do seu encanto de jogo para jogo, a história é o aspecto mais importante de qualquer Layton, não fosse esta uma saga de jogos de detetives. Neste caso o jogo sai muito favorecido, sobretudo na premissa, que leva Layton a visitar uma cidade que sofre ataques por parte de uma criatura misteriosa que dizem ser o Espetro de uma lenda antiga. É lá que Layton se cruza com Luke Triton, o seu futuro assistente, que parece saber bastante sobre o incidente do Espetro. A maneira como os eventos são introduzidos carrega-os de grande mistério, o que cativa a progressão na história, uma fórmula bastante comum, mas eficaz. Contudo, neste episódio, à medida que as incógnitas vão sendo desmistificadas, as respostas são meio previsíveis e pouco interessantes, o que prejudica o jogo.
Da metade até ao final, já com quase todo o enredo descoberto, este departamento torna-se um pouco medíocre, e não se equipara às descobertas e revelações dos finais nos outros episódios. Este é um dos verdadeiros problemas deste jogo. Para compensar, este é o Layton com mais vídeos de sempre, todos com uma animação excelente, como vem sendo hábito. Quase dava para fazer uma curta-metragem juntando todos os segmentos de vídeo.
Os três companheiros à espera de uma revelação bombástica.
Gráficos: É quase desnecessário falar sobre este aspeto, sendo já certo e sabido que a Level-5 produz os melhores gráficos encontrados na Nintendo DS. Sprites 2D com animações bem desenhadas e cenários 2D igualmente detalhados, é o que "The Spectre's Call" tem para oferecer. Os 3 mini-jogos também saem favorecidos em termos gráficos, havendo um deles que recorre a uma perspectiva isométrica. Gostaria de ter visto algum 3D aplicado a este capítulo, no entanto. No fundo, que houvesse alguma novidade.
Pode-se, no entanto, falar dos gráficos no jogo extra, “London Life”, que contrariamente ao que acontece no jogo principal, apresentam um aspecto mais pixelizado, mas moderno, a par de jogos como "Mother 3".
Há sempre algo de hilariante sobre a miséria e destruição.
Jogabilidade: Mais uma vez a fórmula mantém-se. O sistema point & click é suficiente e, aliás, é o único, o que nos obriga a usar a stylus durante todo o jogo, o que na minha opinião é muito bom. Gosto de ver um jogo que utiliza o touch screen muito e bem. Os quebra-cabeças nesta entrega são muitos, mas infelizmente pouco variados, sobretudo para quem já jogou os outros Layton. Existem alguns repetidos, inclusivamente.
E tanto eu como outros comentadores concordamos que os enunciados dos desafios estão quase sempre muito vagos e pouco mal explicados, o que origina alguma frustração, sobretudo depois de sabermos a solução e percebermos que tivesse o enunciado sido mais claro e teríamos conseguido. Porém, é interessante verificar que, mesmo assim, os quebra-cabeças não são tão difíceis como os encontrados no terceiro jogo.
Tenho quase a certeza que já vi isto antes.
Ambiente: Igualmente (sempre) bem conseguido, destaca-se sobretudo a enormidade da nova cidade, que tem reminiscências a todos os títulos anteriores, sobretudo o primeiro. Fez-me foi esperar por revelações e cenários mais impressionantes, como foi o caso do segundo jogo, mas tal não aconteceu. É talvez um aspeto que novos jogadores não irão notar, pois trata-se apenas de expectativas criadas pelos outros títulos Layton.
A música está dentro do género a que estamos habituados, com utilização do acordeão e piano a ter mais destaque, bem como alguns temas orquestrais. Nesse departamento eu diria que há uma maior aproximação com um ambiente francês do que propriamente inglês, mas não me queixo pois são melodias realmente boas e não existem aqueles cenários em que queremos estar pouco tempo devido a uma música irritante. A música final, que no jogo anterior foi da responsabilidade da Salyu, desta vez coube a Andou Yuuko, outra cantora que adoro. Com muita pena minha, no entanto, só a versão japonesa incluí a música completa, sobrando uma versão instrumental para as restantes regiões onde o jogo saiu. Uma pena, de facto.
Ou foram estes dois miúdos ou aquele gato!
O resto do departamento sonoro, como os efeitos ou vozes está também muito bem servido, havendo no entanto menos sequências faladas, talvez devido a haver mais vídeos (onde há falas, claro).
Fazendo apenas uma pequena menção ao jogo bónus, “London Life”, com o qual apenas perdi uma ou duas horas, devo dizer que está muito bem conseguido, embora a paleta de cores não fuja muito do ocre, o que se torna um pouco aborrecido. As semelhanças com "Animal Crossing" são muitas e os diálogos são de qualidade, sem aquele típico vazio de “estar só para encher” encontrado em alguns jogos extra ou spin-offs. Quase poderia ter sido um cartucho à parte, mas algo me diz que a sua inclusão serve para compensar falhas do jogo principal.
Sofás à beira mar, peixe e café, um belo jantar.
Tentando condensar o que se passa aqui, basta dizer que o jogo mantém os níveis de qualidade dos anteriores, o que o coloca num patamar superior a muitos lançamentos para a Nintendo DS, mas perde algum brilho pela falta de inovação ou conteúdos interessantes. Até os 3 mini-jogos são repetições de outros que já apareceram nos 3 anteriores. Por isso tudo, "Professor Layton and the Spectre's Call" revela-se como o mais fraco Layton até à data e possivelmente o mais curto.
Site oficial (português)








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